Iniciação

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INICIAÇÃO
Para orientais e ocidentais

Haiawatha (*)

Pergunta – Aos espíritas é bastante estranho esse conceito de iniciação, oriundo da prática e conhecimentos espirituais do Oriente. Como situá-lo no contexto ocidental e como se apresentaria viável ao seguidor dos princípios kardequianos?
Resposta – Não é o nome que faz a coisa. Muito além do rótulo, o que importa é o conceito e sua validade ou não, seja na instância material ou na espiritual.
O que é a famosa “reforma íntima” à qual tanto exortam os compêndios espíritas e os guias consagrados pela doutrina, senão a preparação da alma para sutilizar-se e adquirir condições de ampliar sua consciência até chegar à condição de “espírito puro” ou liberto da roda das encarnações? Esse também é o propósito das iniciações. Não existem dois modelos de evolução dentro do Cosmo, pouco importando que nome lhes deis.
O que ocorre é que no Oriente, milenarmente preparado pelo conhecimento e aceitação generalizada das grandes leis – da evolução, da causa e efeito ou carma e da reencarnação – sempre foi de senso comum que há um caminho evolutivo inevitável proposto à alma, e que a ela cabe percorrê-lo, seja lentamente, através das encarnações sem conta, seja optando por um “atalho” ou apressamento do processo, que é como um curso intensivo que abrevia o tempo de conclusão do aprendizado sideral – que foi chamado de Senda da Sabedoria. Sabia-se desde sempre que ela existe e que a alma terá que passar por ela, seja optando agora ou mais tarde, dentro da corrente evolutiva.
Já no Ocidente esses conhecimentos sempre foram velados e de posse de poucos. Essas noções, milenarmente disponíveis no Oriente, eram passadas em rigoroso segredo dentro dos templos iniciáticos ocidentais, como nos Mistérios da Grécia antiga.
Daí certo estranhamento quando o ocidental, o espírita, toma contato com essas noções, esquecido de que o próprio espiritismo lhe descortinou esse caminho iniciático ao dizer que tudo se encadeia no Universo, “do átomo ao arcanjo, que principiou por ser átomo”. Pressupõe, essa máxima, um processo de evolução contínua, que conduz, da inconsciência ou consciência limitada do átomo, à plenitude consciencial do arcanjo. E como todo processo, implica etapas ou estágios – que são as sucessivas iniciações.
A lógica nos diz que depois do estágio do homem comum segue-se o do homem mais evoluído, depois o do homem liberto da matéria, e assim por diante. Como chega a criatura a isso? Trata-se de uma trajetória, balizada por etapas de ampliação da consciência, em amor e sabedoria.
A Senda da Sabedoria é a porção mais avançada do caminho que toda a humanidade percorre; começa depois que a alma acorda para o sentido maior da vida, a realidade espiritual por trás do véu ilusório da matéria. Depois de amadurecida pelas experiências milenares, tendo adquirido certas condições básicas de crescimento interior, o espírito ingressa no Curso Avançado da vida espiritual, e as séries sucessivas que o constituem são acessadas mediante níveis de progresso a que se da o nome de iniciações. Poderíeis dar-lhes qualquer outro, isso não modificaria a sua natureza.
Que a chameis de Senda da Sabedoria, trajetória evolutiva avançada ou qualquer outra denominação, pouco importa. O fato é que ela existe, todos os espíritos criados por ela passarão, e Kardec e os espíritos que o assessoraram foram claros ao postular esse conceito.
Aliás, o próprio professor Rivail, velho iniciado dos templos ancestrais, desde a velha Atlântida, a Índia, o Egito, trazia impressa na alma essa realidade, e por isso lhe foi natural dispô-la dentro do conceito da lei da evolução. Não lhe foi permitido utilizar os mesmos padrões orientais para evitar que a doutrina incipiente fosse rechaçada pela mentalidade ocidental, da mesma forma que postulou a existência do perispírito – que já era um salto fantástico de realidade para os parâmetros ocidentais – sem poder detalhar a sua composição, falando de duplo etérico, corpo astral e corpo mental, o que seria prematuro e inaceitável naquele momento. Posteriormente, outros autores consagrados, tal como André Luis, começaram a fazer referência a essas realidades – que mesmo agora são pouco estudadas e parcamente admitidas pela comunidade espírita, fruto do escasso estudo e da cristalização mental.

(psicografia: M. C.)

(*) Mestre que encarnou entre o povo iroquês, passando pela América do Norte em meados do segundo milênio d.C.